terça-feira, 10 de abril de 2007

Milhões de abelhas desaparecem nos Estados Unidos-01

Milhões de abelhas desaparecem nos Estados Unidos

(fonte: http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2007/mar/29/279.htm)

Misteriosa síndrome, chamada pelos especialistas de Distúrbio do Colapso
das Colônias, causou a diminuição de 25% dos enxames no país
Efe
WASHINGTON - O desaparecimento de milhões de abelhas em todo os Estados Unidos tem deixado os apicultores com a pulga atrás da orelha e preocupa até o Congresso, que debaterá nesta quinta-feira, 29, a crítica situação de um inseto chave para o setor agrícola.

As primeiras ocorrências sérias surgiram pouco após o Natal, no Estado da Flórida, quando os apicultores se depararam com o sumiço de inúmeras abelhas.

Desde então, a síndrome que os especialistas batizaram como Distúrbio do Colapso das Colônias (CCD) causou a diminuição de 25% dos enxames no país.

"Perdemos mais de meio milhão de colônias, com uma população de 50.000 abelhas", disse à agência de notícias Efe Daniel Weaver, presidente da Federação Americana de Apicultores, que destacou que o problema vem afetando 30 dos 50 Estados do país.

O curioso do fenômeno é que em muitos casos não são encontrados "restos mortais" dos insetos.

"Historicamente, quando algo afeta os enxames, sobram muitos insetos mortos", explicou à Efe Mai Berenbaum, professora de entomologia da Universidade de Illinois e segundo quem "em muitas destas misteriosas desaparições não há corpos".

O comportamento raro das abelhas americanas se soma a outro fato inusitado: as abelhas operárias estão fugindo e deixando a abelha rainha para trás, em um comportamento atípico para estes insetos.

"Nunca tínhamos tido um caso como este", disse Weaver, que como muitos dos 1.200 membros de sua organização acreditava que o problema desapareceria com a chegada da primavera no hemisfério norte, quando os enxames são muito mais numerosos.

Nesta época do ano, os insetos cumprem uma tarefa árdua, polinizando plantações avaliadas em até US$ 14 bilhões, segundo um estudo da Universidade de Cornell.

Mas a situação "ainda é crítica", assegura Weaver, que diz que ainda continua recebendo informações de abelhas desaparecidas ou mortas.

Entre os que perderam grande parte de suas colméias está David Ellingson, um apicultor nômade de Minnesota, que a cada ano libera seus insetos para que os insetos polinizem as longas plantações de amêndoas na Califórnia.

Na última vez, no entanto, muitas das abelhas de Ellingson cumpriram sua derradeira viagem. Cerca de 60% dos insetos das 2.000 colônias que o produtor cultivou para as plantações de amêndoas desapareceram ou morreram.

Não é por menos que os apicultores comparecerão nesta quinta-feira na Câmara de Representantes para pedir ao Congresso que destine fundos para a descoberta dos motivos do enigmático fenômeno. Por enquanto, o mistério continua sem solução.

A professora Berenbaum afirmou que os cientistas trabalham com todo tipo de hipótese, entre elas a de que algum pesticida tenha provocado danos neurológicos às abelhas e alterado seu senso de orientação, o que impediria os animais de encontrar o caminho de volta para as colméias.

Outros estudiosos culpam a seca e inclusive as ondas dos telefones celulares, mas a verdade é que ninguém sabe com toda certeza qual é a verdadeiro explicação.

À espera de que a incógnita seja desfeita, os apicultores temem que não haja abelhas suficientes para polinizar muitos dos cultivos que florescerão no próximo mês, os quais incluem pêras, melões, pêssegos e alfafa.

"Nova York é uma das zonas mais afetadas e pode ser que parte das plantações de maçãs fiquem sem polinização", alertou Weaver.

Virginia Webb, uma apicultora da Geórgia que criou junto com o marido sete milhões de abelhas para a produção de mel e que conseguiu se livrar da peste que abala os Estados Unidos, lembra o modus operandi das pequenas criaturas.

"O que as abelhas fazem é sugar o néctar das flores e ao fazê-lo permitem que o pólen passe de uma flor para outra, o que favorece a fertilização e, em última instância, que a fruta cresça", explica Webb, que frisa a importância de insetos tão frágeis e importantes serem protegidos.

Colapso das colônias - Será que plantações de transgênicos estão matando as abelhas?


Colapso das colônias - Será que plantações de transgênicos estão matando as abelhas?
Fonte: http://blog.controversia.com.br/2007/03/23/
23 de Março de 2007 às 16h 01m • admin • Arquivado sob Geral
Uma dizimação misteriosa das populações de abelhas preocupa os apicultores alemães, enquanto um fenômeno semelhante nos EUA está assumindo gradualmente proporções catastróficas

Gunther Latsch
Walter Haefeker é um homem que está acostumado a pintar cenários sombrios. Ele faz parte do conselho diretor da Associação Alemã de Apicultores (Dbib) e é vice-presidente da Associação Européia de Apicultores Profissionais. E como reclamar faz parte da atividade do lobista, é praticamente seu dever profissional alertar que “a própria existência da apicultura está em risco”.
O problema, disse Haefeker, tem várias causas, uma delas o ácaro Varroa, oriundo da Ásia, e outra a prática disseminada na agricultura de borrifar as flores silvestres com herbicidas e promover a monocultura. Outra possível causa, segundo Haefeker, é o uso crescente e controverso de engenharia genética na agricultura.
Já em 2005, Haefeker encerrou um artigo para o qual contribuiu no jornal “Der Kritischer Agrarbericht” (Relatório Agrícola Crítico) com uma citação de Albert Einstein: “Se a abelha desaparecer da superfície do planeta, então ao homem restariam apenas quatro anos de vida. Com o fim das abelhas, acaba a polinização, acabam as plantas, acabam os animais, acaba o homem”.
Eventos misteriosos nos últimos meses repentinamente fizeram a visão apocalíptica de Einstein parecer mais relevante. Por motivos desconhecidos, as populações de abelhas por toda a Alemanha estão desaparecendo - algo que até o momento está prejudicando apenas os apicultores. Mas a situação é diferente nos Estados Unidos, onde as abelhas estão morrendo em números tão dramáticos que as conseqüências econômicas poderão em breve ser calamitosas. Ninguém sabe o que está causando a morte das abelhas, mas alguns especialistas acreditam que o uso em grande escala de plantas geneticamente modificadas nos Estados Unidos poderia ser um fator.
Felix Kriechbaum, um representante da associação regional dos apicultores na Baviera, informou recentemente um declínio de quase 12% na população local de abelhas. Quando as “populações de abelhas desaparecem sem deixar vestígio”, disse Kriechbaum, é difícil investigar as causas, porque “a maioria das abelhas não morre na colméia”. Há muitas doenças que podem fazer as abelhas perderem seu senso de orientação, de forma que não podem encontrar seu caminho de volta às suas colméias.
Manfred Hederer, o presidente da Associação Alemã de Apicultores, quase que simultaneamente informou uma queda de 25% nas populações de abelhas por toda a Alemanha. Em casos isolados, disse Hederer, declínios de até 80% foram informados. Ele especula que “alguma toxina em particular, algum agente do qual não estamos familiarizados”, está matando as abelhas.
Até o momento, os políticos têm demonstrado pouca preocupação diante de tais alertas e da situação difícil dos apicultores. Apesar de estes terem recebido uma chance de expor seu caso -por exemplo, às vésperas da aprovação pelo Gabinete alemão do documento de política de engenharia genética de autoria do ministro da Agricultura, Horst Seehofer, em fevereiro- suas queixas ainda permanecem em grande parte ignoradas.
Mesmo quando os apicultores recorrem à Justiça, como fizeram recentemente em um esforço conjunto com a sucursal alemã da organização de agricultura orgânica Demeter International e outros grupos contrários ao uso de plantações de milho geneticamente modificado, eles só podem sonhar com o tipo de atenção da mídia que grupos ambientalistas como o Greenpeace atraem com seus protestos em locais de teste.
Mas isto poderá mudar em breve. Desde novembro passado, os Estados Unidos estão vendo um declínio das populações de abelhas tão drástico que ofusca todas as ocorrências anteriores de mortalidade em massa. Os apicultores na Costa Leste dos Estados Unidos se queixam de terem perdido mais de 70% de suas colônias desde o final do ano passado, enquanto a Costa Oeste vê um declínio de até 60%.
Em um artigo em sua seção de negócios no final de fevereiro, o “New York Times” calculou os prejuízos que a agricultura americana sofreria em caso de dizimação das abelhas. Especialistas da Universidade de Cornell, no interior de Nova York, estimaram o valor que as abelhas geram -polinizando plantas responsáveis por frutas e legumes, amendoeiras e trevos que alimentam animais- em mais de US$ 14 bilhões.
Os cientistas chamam o fenômeno misterioso de “Colony Collapse Disorder” (CCD, desordem de colapso da colônia) e ele está se transformando rapidamente em uma espécie de catástrofe nacional. Várias universidades e agências do governo formaram um “Grupo de Trabalho para CCD” para procurar as causas da calamidade, mas até o momento continuam de mãos vazias. Mas, como Dennis van Engelsdorp, um apicultor do Departamento de Agricultura da Pensilvânia, eles já estão se referindo ao problema como uma potencial “Aids do setor de apicultura”.
Uma coisa é certa: milhões de abelhas simplesmente desapareceram. Na maioria dos casos, tudo o que resta nas colméias são proles condenadas. Mas as abelhas mortas não são encontradas - nem nas colméias e nem em qualquer lugar próximo delas. Diana Cox-Foster, um membro do Grupo de Trabalho para CCD, disse ao “The Independent” que os pesquisadores estão “extremamente alarmados”, acrescentando que a crise “tem o potencial de devastar o setor de apicultura americano”. É particularmente preocupante, disse ela, o fato da morte das abelhas ser acompanhada por um conjunto de sintomas “que não parece se enquadrar em nada na literatura”.
Em muitos casos, os cientistas encontraram evidência de quase todos os vírus de abelha conhecidos nas poucas abelhas sobreviventes encontradas nas colméias, após a maioria ter desaparecido. Algumas apresentavam cinco ou seis infecções ao mesmo tempo e estavam infestadas de fungos - um sinal, disseram especialistas, de que o sistema imunológico dos insetos pode ter entrado em colapso.
Os cientistas também estão surpresos com o fato de abelhas e outros insetos geralmente deixarem as colméias abandonadas intactas. Populações próximas de abelhas ou parasitas normalmente atacariam os depósitos de mel e pólen das colônias que morreram por outros motivos, como um frio excessivo no inverno. “Isto sugere que há algo tóxico na própria colônia que os repele”, disse Cox-Foster.
Walter Haefeker, o diretor da associação alemã de apicultura, especula que “além de vários outros fatores”, o fato de plantas geneticamente modificadas, resistentes a insetos, atualmente serem usadas em 40% das plantações de milho americanas pode ter um papel. O número é muito menor na Alemanha -apenas 0,06%- e a maioria se encontra nos Estados do leste, de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Brandemburgo. Haefeker recentemente enviou a um pesquisador do Grupo de Trabalho para CCD alguns dados de um estudo de abelhas que ele há muito sente que mostra uma possível conexão entre a engenharia genética e a doença nas abelhas.
O estudo em questão é um pequeno projeto de pesquisa realizado na Universidade de Jena, de 2001 a 2004. Os pesquisadores examinaram os efeitos do pólen de uma variante geneticamente modificada de milho, chamada “milho Bt”, sobre as abelhas. Um gene de uma bactéria do solo foi inserido no milho, que permitiu à planta produzir um agente que é tóxico a pragas de insetos. O estudo concluiu que não havia evidência de “efeito tóxico do milho Bt em populações saudáveis de abelhas”. Mas quando, por acaso, as abelhas usadas nas experiências foram infestadas por um parasita, algo estranho aconteceu. Segundo o estudo da Jena, “um declínio significativamente forte no número de abelhas” ocorreu entre os insetos que se alimentaram de uma ração altamente concentrada de Bt.
Segundo Hans-Hinrich Kaatz, um professor da Universidade de Halle, no oeste da Alemanha, e diretor do estudo, a toxina bacteriana no milho geneticamente modificado pode ter “alterado a superfície dos intestinos das abelhas, o suficiente para enfraquecê-las e permitir a entrada dos parasitas - ou talvez tenha sido o contrário. Nós não sabemos”.
É claro, a concentração da toxina era dez vezes superior nas experiências do que no pólen normal do milho Bt. Além disso, a ração das abelhas foi ministrada ao longo de um período relativamente longo de seis semanas. Kaatz preferia ter continuado estudando o fenômeno, mas carecia dos recursos necessários. “Aqueles que têm o dinheiro não estão interessados neste tipo de pesquisa”, disse o professor, “e aqueles que estão interessados não tem o dinheiro”.
Tradução: George El Khouri Andolfato
Der Spiegel